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ARISTIDES DE SOUSA MENDES

ARISTIDES DE SOUSA MENDES

Festival Política chega a Lisboa

Abstenção: Festival Política chega a Lisboa para colocar o tema na agenda 

Dias 21 e 22 de abril o Cinema São Jorge recebe a primeira edição do Festival Política, iniciativa que nasce a partir da sociedade civil e que tem como objetivo combater a apatia cívica Festival Política chega a Lisboa para colocar a abstenção na agenda Debates, workshops, filmes, arte, atividades para crianças de acesso gratuito e uma campanha de publicidade para trazer o tema da “abstenção” à discussão pública Destaque para o “Cara a Cara com deputados”, um encontro entre cidadãos e deputados representantes de todas as bancadas parlamentares e o atelier “Como se faz uma bandeira”, dinamizado pelo Museu da Presidência da República O Festival vai recolher ideias exequíveis para combater a abstenção, sendo as principais conclusões dos debates entregues aos grupos parlamentares e partidos portugueses A primeira edição do Festival Política realiza-se de 21 a 22 de abril, no Cinema São Jorge, em Lisboa, e tem como tema central a Abstenção. É uma iniciativa da sociedade civil, com co-produção EGEAC/Produtores Associados, inserida no programa “Abril em Lisboa”. O Festival Política apresenta-se como um palco de discussão que convida ao pensamento político dos portugueses, contribuindo para uma maior consciencialização do papel imprescindível da sociedade civil na decisão de novos rumos e assuntos de interesse coletivo, lembrando o dever de participação de todos os que escolhem abster-se desses debates. A programação do evento inclui atividades abertas ao público, de acesso gratuito, como debates sobre “Como combater a Abstenção”, “Qual o é o papel do jornalismo independente na democracia”, workshops que passam por temáticas como “Civic Tech: Como juntar pessoas à volta da informação pública” e “Democracia adicta – os vícios da governação” e encontros “Cara a Cara com deputados” que juntam personalidades como Mariana Mortágua (Bloco de Esquerda), Sérgio Azevedo (PSD), Isabel Moreira (PS), Ana Rita Bessa (CDS-PP), Rita Rato (PCP), Heloísa Apolónia (PEV) e André Silva (PAN). O Festival Política inclui debates e workshops (com tradução simultânea para linguagem gestual), filmes, arte, atividades para crianças e uma campanha de publicidade que pretende trazer o tema para a discussão pública. De destacar a estreia em Portugal dos filmes “Techo y Comida” (Espanha) e “Aristides de Sousa Mendes - un hombre bueno” (Argentina).

Para Rui Oliveira Marques, co-organizador do Festival Política “o crescimento da abstenção é o reflexo de um país repleto de eleitores desinteressados. O nosso objetivo é promover o interesse da sociedade civil, envolvendo-a na discussão, de maneira a que esta lute pelos seus direitos de forma ativa, dando voz a inquietações de ordem política e expondo resoluções. Para nós, quem não participa nunca tem razão”. “É a primeira vez que se realiza em Portugal um festival com estas características, que junta política, artes e filmes. Na verdade é um modelo de festival que existe há décadas, principalmente na Escandinávia, Itália e Reino Unido”, completa Bárbara Rosa, co-organizadora. O website do Festival – http://www.festivalpolitica.pt – convida à sugestão de ideias viáveis para combater a abstenção. Estas propostas, a par das principais conclusões dos debates, serão entregues aos grupos parlamentares e partidos portugueses para avaliação e integração em propostas futuras.

 

 

22 DE ABRIL

17h30 Filme “Aristides de Sousa Mendes – un hombre bueno”, de Victor Lopes (Argentina, 2017) + conversa com realizador – Sala 3
Na tela conta-se a história de sete dias na vida do cônsul português na cidade francesa de Bordéus que, entre 16 e 23 de Junho de 1940, assinou cerca de 30 mil vistos que permitiram a muitas famílias de origem judia abandonar França tomada pelos nazis. Os salvo-condutos abriram a porta à entrada em Portugal e, para muitos, a viagem até ao outro lado do Atlântico. A conversa com o realizador terá tradução simultânea para linguagem gestual (30′) ESTREIA EUROPEIA

 

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A vida de Aristides é "uma bofetada contra o egoísmo e o poder económico"

'Un Hombre Bueno' é o novo filme que narra a vida e obra de Aristides de Sousa Mendes. O Notícias ao Minuto esteve à conversa com o realizador, um argentino de ascendência lusa.

© Aristides de Sousa Mendes 

CULTURA DOCUMENTÁRIO
 

Aristides de Sousa Mendes (ASM) salvou cerca de 30 mil judeus do Holocausto, à revelia de Salazar, o que faz de si um herói da Segunda Guerra Mundial. A história do português comoveu Victor Lopes, um argentino com raízes portuguesas, realizador do novo documentário sobre o cônsul português em Bordéus, por altura da Segunda Guerra Mundial.

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'Um Homem Bom", assim se chama o novo documentário que relata a vida do diplomata português. O filme - de cerca de 30 minutos e filmado em Buenos Aires - narra o período da história de junho 1940 em que Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordéus (durante o período da invasão nazi alemã) assinou cerca de 30 mil vistos a judeus, salvando-os assim da morte quase certa no período negro do Holocausto e permitindo com que fugissem do país. Uma decisão que, por ser contrária às ordens de Salazar, engrandeceu a sua figura.

Ao Notícias ao Minuto, Victor Lopes conta que se apaixonou pelo humanista português em 2012, ao ler um artigo de jornal sobre a sua vida. Ainda sem data prevista para o lançamento, Victor adianta que o documentário se divide em duas partes: uma em que é fiel à história de Aristides e uma outra que é ficcionada.

Quando se apaixonou por Aristides de Sousas Mendes?

Em agosto de 2012 li ,no suplemento cultural do El País, um artigo muito interessante sobre a vida de Aristides. Chamava-se 'El Schindler portugués' e confesso que me comoveu. A partir daí senti-me ligado a este grande humanista português.

Qual a importância do diplomata na história e o que significa para si?

Sendo um homem como outro qualquer, não atuou como a maioria.Juntamente com Carlos Sampaio Garrido, José Brito Mendes e o Padre Joaquim Carreira foram distinguidos como 'Justos entre as Nações' [num memorial sobre o Holocausto em Jerusalém] pelo ato maior ato que pode fazer um ser humano: salvar vidas!

Considera existir um certo desconhecimento geral sobre quem foi Aristides?

Aqui na Argentina pouco se sabe sobre a vida de Sousa Mendes e o meu trabalho está feito para dar a conhecer a sua obra num período da história adverso.

Quando vai estrear o documentário e onde?

Este ano mas ainda não consigo adiantar uma data certa. Estamos atualmente em negociações com os organizadores de vários festivais de várias partes do mundo. Pelo interesse das pessoas que se têm dirigido a mim, a repercussão do documentário não será pequena.

Como foi o processo de recolha de informação sobre elementos históricos da época?

Tivemos de recorrer a alguns textos que se encontram na internet e que são de acesso público. Não há praticamente nada escrito sobre o Cônsul de Burdéus no nosso país. Mas conseguimos muita informação que não chegámos a incluir no documentário porque tivemos de fazer um resumo. Durante o ano de 2014 fizemos um trabalho de investigação sobre a vida de Aristides de Sousa Mendes e, logo em 2015, apresentei um projeto à Legislatura de Buenos Aires para a colocação de uma placa em sua memória na Plaza Portugal, junto daquele que é o maior símbolo de Portugal em todo o mundo: Luís Vaz de Camões.

Em traços gerais, o que relata o documentário?

O documentário tem duas partes. Uma que é histórica e que resume a vida e obra de Aristides, e outra que é ficção, em que o embaixador deixa o escritório em Bordéus, depois de assinar os vistos, e percorre alguns lugares emblemáticos de Buenos Aires do período da ditadura Argentina entre 1976 e 1983.

O projeto teve apoios de Portugal?

Foi aprovado pelos deputados (na Argentina) e contou com o apoio das Embaixadas de França, Israel, Alemanha, além de outras instituições. Em relação a Portugal, lamentavelmente tivemos a oposição do atual embaixador em Buenos Aires, Henrique Silveira Borges, que não só nos negou apoio, como também se esforçou para que a placa [em honra de Aristides] não fosse colocada na Plaza Portugal. Não sei por que motivos.Acho que há políticos em Portugal que não percebem ou não querem entender a transcendência humanista e democrática de Aristides e, pior ainda, tentam escondê-la.O documentário é uma iniciativa privada sem apoios oficiais. Penso que se tivesse apoios oficiais de alguma instituição, isso podia limitar ou condicionar de alguma maneira a história que queria contar ao mundo.

Que tipo de ensinamento pode trazer a história de vida de Aristides nos dias de hoje? Que paralelo pode ser feito?

Acho que a história de Aristides mantém-se atual, tendo em conta o panorama de uma Europa convulsionada pela emigração. Precisamos de políticos que se esforcem para se colocar na pele do outro, daqueles que sofrem, que são perseguidos, que passam fome. A história de Sousa Mendes é uma bofetada contra o egoísmo e o poder económico que nos governa a todos sem se importar com as pessoas, com os seres humanos.Temos de lutar para sermos sociedades mais abertas e mais democráticas.Li recentemente que o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou Aristides e considero isso um grande gesto do Estado português. Assim como a reconstrução da sua casa natal em Cabanas de Viriato (Viseu), são sinais de que os portugueses veem, pouco a pouco, a figura de Aristides de Sousa Mendes como um herói. Contudo, não percebo como é que o Governo protege o cargo de pessoas como Henrique Silveira Borges.

O Victor tem ascendência portuguesa. Que opinião tem de Portugal?

Tenho primos e tios em São Brás de Alportel, no Algarve. Já visitei duas vezes o país e penso visitá-lo outra vez este ano. É um país que amo, com gente muito educada.

Tem agradecimentos a fazer?

 

Devo um profundo agradecimento às pessoas que me ajudaram a fazer este documentário e a cumprir um sonho. Naheul Vec, o actor que protagoniza a figura de Sousa Mendes, e Melissa Zwanck, uma excelente atriz argetina que relata a vida e obra de Aristides. Paula Fossati foi a realizadora, atenta a cada detalhe do guião. Tenho de agradecer especialmente ao neto de Aristides, António Moncada Sousa Mendes que me apoiou generosamente nesta aventura na Argentina.

 

É filmado en Buenos Aires um documentario sobre a vida de Aristides de Sousa Mendes.

 

"Aristides era um homem como qualquer outro simplesmente que num desses cruzamentos que nos sabe pôr a vida não reagiu como a maioria" começa-nos dizendo Victor Lopes,um argentino com nacionalidade portuguesa que confessa "assim como alguns portugueses me dão vergonha e pelo qual peço desculpa ao mundo inteiro, há também outros, como Aristides de Sousa Mendes que é o orgulho de um Portugal moderno e vigoroso que respeita os direitos humanos e rejeita qualquer tipo de autoritarismo e ditadura".

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Sousa Mendes é um dos quatro portugueses declarado "Justo entre as nações" por ter salvado milhares de pessoas perseguidas pelos nazis durante o holocausto, enquanto os argentinos filmam o documentário na cidade de Buenos Aires, o Presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa anuncia em Nova Iorque que vai condecorar a Aristides de Sousa Mendes com a "Grande Cruz da Ordem da Liberdade" e reconhece que "hoje lhe devemos a Aristides muito mais do que sabiamos até agora".

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"Não se é Santo por ser elegido pelos Deuses, senão que, se é elegido pelos Deuses por ser Santo". Repete Victor Lopes para significar a obra humanitária do Cônsul de Portugal em Burdeus que assinou 30000 visas em apenas sete dias desobedecendo ao ditador luso António de Oliveira Salazar, quando os nazis invadian França nos cruéis tempos de 1940, "Para Aristides tinha sido fácil desocupar com o exército ou a policia os jardins da Embaixada que nesse momento encheram-se de homens, mulheres e crianças perseguidos procurando un salvoconduto que os levara ao porto de Lisboa sem embargo Aristides não o fez....Sousa Mendes não chamou as tropas alemãs.... o que eu faria?....o que farias tu? o que fariam os nossos atuais Embaixadores de Portugal ao redor do mundo?".

 

É o eterno conflito gerado entre " o dever e a conciência que não sempre se põem de acordo" diz Lopes, enquanto nos faz lembrar daquele soldado da obra de Javier Cercas que pudendo matar a um Sanchez Mazas indefeso decidiu não o fazer durante a tragédia da Guerra Civil Espanhola

 

Portugal teve uma ditadura de mais de quarenta anos e desembaraçar a trama de complicidades com centos, milhares de profissionais e lideres formados na intolerância vai levar muito tempo como sabe suceder nos países que sofrimos os regimes autoritários apesar do esforço e a boa vontade que os atuais dirigentes e novas gerações democráticas realizam.

 

Levar ao ecrã do público americano a história de Sousa Mendes é um dos objetivos do realizador com uma equipe formada nas universidades Argentinas de cinema baixo a atenta olhada de Paula Fossatti e Ramiro Klement, junto aos atores Melissa Zwanck y Nahuel Vec, Lopes vai aportar "o seu grãozinho de areia" aos que já vêm realizando faz muito tempo em diversos lugares do mundo, familiares, amigos e ferventes seguidores da causa Sousa Mendes.

 

A estréia do documentário "Aristides um homem bom" está previsto para o fim do ano e se realizará no marco do Festival Internacional dos Direitos Humanos., embora Victor Lopes reconhece que pouco a pouco irá respondendo âs convocatórias que a diário lhe chegam já que a proposta causou boa recepção por tratar-se duma história práticamente desconhecida e que ainda desperta certa polémica nos setores mais conservadores da sociedade portuguesa.

 

@alexavier 

Tradução: Prof. Rosa Fernandes

 

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